Divulgação Científica em Diversidade e Inclusão – CMPDI – UFF

Divulgação Científica como forma de Inclusão Social

Contextualização da Divulgação Científica no Âmbito da Inclusão Social

A divulgação científica tem o importante papel de contribuir para a atenuação da exclusão social, que é um dos aspectos estruturais da desigualdade, pois trata-se de um instrumento de transformação social na medida em que colabora para a democratização do acesso à educação e à cultura de qualidade em favor do desenvolvimento humano. Assim, a disseminação do conhecimento científico ajuda a promover a qualidade de vida e a inclusão social, uma vez que fornece as bases para a formação do pensamento crítico o que, consequentemente, influencia na tomada de decisão e na construção do saber.

Pode-se dizer que a ciência consiste numa “linguagem” para facilitar a leitura que o indivíduo faz do mundo natural, propiciando uma “alfabetização científica”. Saber a descrição do mundo natural ajuda a entendermos a nós mesmos e o ambiente que nos cerca. Portanto, há uma necessidade contínua de fazer com que a ciência seja, não apenas medianamente entendida por todos, mas, e principalmente, facilitadora do “fazer parte” do mundo.  Neste sentido, é preciso que os alfabetizados cientificamente, além de poder compreender o mundo em que vivem, possam também entender as necessidades de transformá-lo para melhor.

Numa via de mão dupla, além da divulgação científica fomentar o desenvolvimento humano dos indivíduos, estimula também o desenvolvimento científico e tecnológico do país. Isto porque propicia a formação de profissionais qualificados em número suficiente e com aproveitamento adequado, além do aumento do conhecimento científico e do interesse pela ciência e tecnologia entre a população em geral, promovendo a descoberta de novos talentos. Desse modo, a instituição deve fomentar o uso social da informação científica como uma forma de retornar à sociedade o produto do investimento público.

Falar da inclusão social como consequência da disseminação dos conhecimentos científicos e tecnológicos básicos compreende, portanto, atingir não apenas as populações mais pobres, que tem menos acesso à educação e à cultura de qualidade, mas também a outras parcelas da população que encontram barreiras físicas e/ou sensoriais quanto à acessibilidade destas informações, como pessoas com deficiência.

A disseminação de informações ocorre através dos diversos meios de comunicação, buscando um amplo alcance e através da participação de profissionais de múltiplas áreas do conhecimento. Alguns destes meios são os centros e museus de ciência, os programas de extensão universitários, os eventos de divulgação, a educação a distância e outros.

Comunicar é o papel principal da divulgação científica e, por isso, os pesquisadores devem atentar para a necessidade de construir uma comunicação efetiva para que o conhecimento científico atinja o seu uso social. Assim, deve-se buscar uma veiculação da informação científica adequada e acessível para o público, utilizando-se uma linguagem compreensível e meios de comunicação acessíveis ao maior número de pessoas.

Isto será possível buscando-se uma aproximação de todos aqueles que podem ajudar no processo de democratização do conhecimento, objetivando o estabelecimento de parcerias, a definição de estratégias de atuação, o fortalecimento do sistema educacional, o desenvolvimento de políticas que promovam a acessibilidade à informação para pessoas com deficiência e o debate amplo sobre o papel da ciência e da tecnologia numa sociedade em desenvolvimento.

Nesse contexto, percebe-se a necessidade de gerir o conhecimento buscando novos paradigmas a serem enfrentados pela administração pública, sob os critérios de ética e sustentabilidade e com a busca de uma inteligência coletiva capaz de assegurar a melhoria das condições humanas, ambientais e sociais.

Atualmente, o Brasil não disponibiliza uma política pública ampla especializada na divulgação da ciência e tecnologia. Porém, há a necessidade urgente de se estabelecerem políticas gerais e de se formular e executar um programa nacionalmente articulado nesta direção. Essa ausência de legislação oficial tende a comprometer a oferta de oportunidades e ações de modo abrangente.

 

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